29 de mar. de 2010

Mais que dois...


A boca continuava seca. Fechada. O restante do rosto fachada ainda não me vira e muito menos me veria. Minha insistência em lamentar meu olho sobre ela não surtiu algum resultado. Era ou linda demais, ou uma farsa, daquelas que só se descobre quando já se perdeu todo o tempo do mundo, mas tempo era o que eu mais tinha. A ponta dos seus dedos, de tempo em tempo, lambia o rodapé das páginas e as deixava para trás, como ela certamente fazia com tudo na vida. Aquele livro lhe era agradável. A minha leitura dela lendo era me irritante. Com a outra mão, buscava a xícara que soltava um calor claro sobre sua boca. A boca molha. Ela retorna a xícara à mesa, lambe a página com os dedos mais uma vez e continua a ler. Seria necessário para mim mais do que um simples ruído para chamar a atenção. Desejava o seu olhar, sua boca, quem sabe a voz. Qual o desgraçado motivo de eu não ter ao menos o poder da mente para fazer com que ela me note. Ela puxa uma caneta e anota algo no papel. Fico curioso. Por que não tenho o poder de ler pensamentos. Não vi nem ao menos a capa do livro, para saber o assunto. Quem sabe eu poderia chegar até ela e dizer algo interessante, quem sabe eu poderia esbarrar no garçom e derrubar um suco qualquer nela e depois insistir que o culpado fora eu, que eu pagaria para ela um novo vestido e se ela quisesse, poderia até lhe dar um carro, uma casa, uma família, filhos, netos... Por que eu não tenho o poder?

Ali continua ela, alguns minutos, quem sabe horas e ainda não desviou o olhar para mim. Cheguei até a ter a certeza de que estaria morto. Um fantasma insignificante que se sente preso ao desprezo de alguém. Vira mais uma página. Dá mais um gole. Repete-se e não inova, não me olha. Olha... olha... - continuo insistindo com a mente - e ela não responde. Quem sabe eu pudesse chegar até ela e dizer - olha, eu estava te olhando e queria o seu olhar olhando o meu olhar também - patético. A música pára, o mundo pára e ela não... Não me canso. A luta por atenção vira obsessão, vira descrédito, que vira luta, que vira força, que se perde nas dúvidas e nos medos. Mais uma vez busca um papel e anota. O garçom lhe traz a nota. Ela não me olha e levanta-se. Passa pelo caixa, olha-o, sorri e lhe entrega um papel anotado. Fala algo e vai embora. Mergulho meu olho no meu café já frio. O garçom vem até mim e me dá um papel com a letra feminina: "demorou". Foi aí que descobri que as mulheres têm mais que dois olhos...



                                              [Texto de Walter Henrique Comine Maldonado.]

23 de mar. de 2010

FELIZ ANIVERSÁRIO, GONAS!


Para minhas Gonas roqueiras Ali Vidal e Bá Godoy. Uma velinha pra cada uma. Amo vocês...




Soneto de aniversário

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece. 


                                                      (Vinícius de Moraes) 

11 de mar. de 2010

REDAÇÃO

Eu só quero avisar que estou fazendo aula de Redação e técnicas de interpretação de texto. Isso quer dizer que supostamente eu vou melhorar meus textos e escrita. Melhor pra mim. Melhor pra vocês.

xxx

27 de fev. de 2010

DESCULPAS

Ando meio sem paciência com pessoas, peço desculpas aos meus amigos.
Daqui a pouco passa...

xxx

23 de fev. de 2010

E O QUE EU FAÇO COM ESSA MULHER NO CHÃO?

Estou escrevendo para relatar algo que aconteceu hoje e que me deixou muito indignada.
Ao meio dia fui com meu pai à sede da Prefeitura de Criciúma resolver uns problemas burocráticos. Estava muito calor e na parte térrea do prédio não há ar-condicionado. Não havia muitas pessoas e procuramos logo um lugar pra sentar e esperar nossa senha ser chamada. Foi então que ouvi um barulho, olhei pra trás e vi uma mulher caída ao chão. Em segundos todas as pessoas que estavam por ali rodeavam a mulher. O segurança tentou colocá-la sentada e ela caiu de novo e começou a dizer, ou tentar dizer, porque nessa hora ela tremia e parecia até estar tendo uma convulsão, que o coração estava doendo: “Ai meu coração!”, dizia ela. Eu de pronto peguei o celular e liguei para o 192 (SAMU) que imagino nessas horas ser o serviço mais apropriado para se ligar, e qual a minha surpresa quando a atendente me responde: “As duas ambulâncias que temos que atende Criciúma estão quebradas, não podemos fazer nada” e eu ainda pergunto: “E o que eu faço com essa moça aqui caída ao chão?” Mas não ouço resposta do outro lado da linha, só silêncio. Então meu pai começou a ligar para 193 (Corpo de Bombeiros) e a linha estava sempre ocupada. Nesse meio tempo um senhor abanava a moça caída sem parar e foram chamar alguém do Departamento da Saúde, como se as pessoas que trabalham na Secretaria da Saúde fossem obrigadas a saber lidar com essa situação. Que eu saiba elas só precisam fazer o concurso público da prefeitura. Meu pai continuava tentando ligar para o Corpo de Bombeiros. Ele fez 36, sim eu disse 36 tentativas e não conseguiu a ligação pelo 193. De repente chegou uma ambulância do mesmo Corpo de Bombeiros, aí me pergunto se na Prefeitura eles tem um outro número além do 193 ou se alguém que estava lá conseguiu completar a chamada que meu pai não conseguiu em 36 tentativas, e fizeram os primeiros socorros e tudo que deveria ser feito.
Não sei relatar o desfecho da situação pois me ausentei do local. Mas eu fico me perguntando se um lugar público, onde tantas pessoas circulam não deveria ter uma equipe treinada de primeiros socorros? E por que uma cidade como Criciúma, com quase 200mil habitantes tem apenas duas ambulâncias de SAMU e as duas estão quebradas? O que eu posso fazer então se eu, você ou alguém do seu lado passar mal no meio da rua ou até na minha própria casa?
Escrevi para que divulguem, para que os devidos órgãos tomem alguma providência em relação as ambulâncias, as linhas de atendimento de emergência e a atenção com a sociedade.
Obrigada,
Daniela Estevam

Enviei esta carta via email para um Jornal e uma Rádio influentes da cidade. Torço para que divulguem para que os responsáveis façam algo e que a população não pague mais pelo descaso destas pessoas.

14 de jan. de 2010

The Curious Case of Benjamin Button

Sobre o fazer uma escolha e poder mudar de idéia, e quando mudar, não ter medo de jogar tudo pro alto e começar de novo...porque sempre há tempo para recomeçar. E não viver infeliz e escolher ser feliz.
Sobre o amor e as várias formas de amar, mesmo que de longe e pra sempre...

8 de jan. de 2010

Viva mais em 2010!

Recebi esse cartão por email de um site que admnistra sebos em todo o Brasil (recomendo, todos os livros que comprei lá estavam bons) e achei que valia a pena postar...

6 de jan. de 2010




Começo o ano com várias resoluções, idéias e vontades.
Começo o ano com novos amigos e com a dorzinha no estômago de lembrar que muitos esse ano alçarão asas para uma nova etapa. Desejo à todos o melhor que se pode desejar e toda a minha amizade e ajuda no que for preciso.
Começo o ano ouvindo músicas novas, lendo outros livros, indo a praia.
Começo o ano com duas plantas em minha casa e a dúvida se terei que me mudar ou não.
Começo o ano me despedindo: dos meus pacientes, de algumas amizades, do meu trabalho...algumas coisas sentirei falta, outras, confesso que não.
Começo o ano querendo uma câmera nova, um ipod novo (ou um iphone) e um psp2.
Começo o ano querendo viajar, conhecer mais e mais pessoas e reencontrar antigos amigos.
Começo o ano não usando orkut, mas totalmente viciada em facebook e twitter.
Começo o ano querendo escrever mais e querendo que você me leia.