8 de fev de 2009

AH, CLARICE...

Estava pensando na minha falta de inspiração para escrever aqui. Procurando fotos, figuras, textos...alguma coisa que pudesse preencher um pouco o espaço por mim, de certa forma, abandonado.
Nessa minha busca, me tornei até exigente.
Eu não sei o que escrever, mas também não quero por qualquer coisa que qualquer pessoa possa ter escrito para qualquer um ler.
Foi então que olhei pro lado e peguei, numa ânsia meio católica, o livro que estou lendo atualmente: "Perto do Coração Selvagem", de Clarice Linspector e abri, sem escolher, uma página qualquer.
Sabe aquela sensação de pegar a Bíblia, pensar em algo e abrir numa página pra ver se vem do céu alguma resposta? Foi mais ou menos isso que aconteceu.
Abri e li:


"Mas a libertação veio e Joana tremeu ao seu impulso... Porque, branda e doce como o amanhecer num bosque, nasceu a inspiração... Então ela inventou o que queria dizer. Os olhos fechados, entregue, disse baixinho palavras nascidas naquele instante, nunca antes ouvidas por alguém, ainda tenras da criação - brotos novos e frágeis. Eram menos que palavras, apenas sílabas soltas, sem sentido, mornas, que fluíam e se entrecruzavam, fecundavam-se, renasciam num só ser para desmembrarem-se em seguida, respirando, respirando..."
(Clarice Linspector, Perto do Coração Selvagem)

Um comentário:

Paty disse...

Sem fôlego, sem palavras.... isso de abrir um livro tentando encontrar uma resposta me acontece muito frequentemente!

Bjos amiga