16 de fev de 2012

e a educação, cadê?

Deixando um pouco a poesia e meus rabiscos de lado, vou colocar aqui o excelente texto do meu querido professor Edson Ramos, o Cebola, colocado no perfil dele no facebook. Esse texto nos faz refletir sobre vários aspectos da educação e questionar-mos para onde estão indo todos os impostos pagos para fins da educação no nosso país. Leia e reflita você mesmo.


A EDUCAÇÃO, no que se refere a parte acadêmica (informação), é um dever do Estado.Mas como ele é incompetente, abrem-se muitas brechas.
A escola PRIVADA deve ser uma opção, mas, em nosso país, é uma NECESSIDADE.
Foguetes são lançados e políticos são aclamados quando inauguram uma sala de aula, quando isso não é mais do que a obrigação dos gestores da coisa pública.
E, então, vem os paliativos: política de cotas, Enem, etc. 
No início desta semana tivemos as matrículas na Ufsc. No Curso de Medicina, trinta e quatro candidatos aprovados não vieram fazer a matrícula, abrindo, portanto trinta e quatro vagas.
De onde são esses candidatos? Não sabemos, pois a Ufsc não divulga mais, na relação dos aprovados, os Estados de origem dos documentos de identidade dos mesmos, como fazia anteriormente.
Significa que muitos excelentes alunos, que não haviam sido classificados, serão chamados. Que bom!!! Mas, mesmo assim, muitos outros que mereciam ser classificados passarão a fazer parte da chamada demanda reprimida. 
Não é possível que tenhamos de continuar com apenas 100 vagas em medicina em universidades públicas em SC, quando no RGS são 484 e no PR, 408 (anuais)!
Uma curiosidade, os três primeiros colocados na política de cotas da Ufsc, todos oriundos do segmento chamado de “cotas sociais – para alunos que fizeram todo o ciclo fundamental e médio em escola pública”, são oriundos de outros Estados. Nenhum dos trinta classificados pela política de cotas passaria se não existisse esse mecanismo.
Então, para os filhos dos trabalhadores, desses que labutam para poder proporcionar aos filhos um ensino digno e de qualidade, fazendo-os cursar uma escola privada, muitas das quais também não são lá essas coisas (na escola pública também existem instituições dignas e de qualidade, mas são “pontos fora da curva”), em nosso Estado existem apenas 70 vagas públicas para medicina. Ou resta tentar uma escola privada, cujos preços não estão ao alcance da maioria absoluta da população e cuja qualidade (existem exceções)....
Onde estão nossas autoridades, que permitem tais desmandos? 
E não é somente medicina: em SC, também apenas na Ufsc são oferecidos cursos como Odontologia e Direito. O que permite a proliferação de instituições que oferecem esses cursos (medicina, odonto, direito, etc.) que, sabemos mas não podemos nominar, executam um trabalho de PÉSSIMA qualidade, não preparando corretamente os alunos para o mundo que os espera.
Ah, também uma REFLEXÃO as escolas e aos educadores: aumentou significativamente, após a inserção do Enem na prova da Ufsc, que facilita a inscrição de muitos alunos oriundos de outros locais, a quantidade de indivíduos de fora de nosso Estado nas relações de aprovados da Ufsc. Também nosso trabalho, não obstante tantos argumentos e justificativas, deve ser repensado. Ou não?


Edson Osni Ramos (Cebola) - professor


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